domingo, 6 de novembro de 2016

Faces em espelho

Enrolado novelo amarrado,
Intenções beneficiárias vergonhosas
De "sim"s, de "não"s e anulações duvidosas,
Parecendo espetáculo para o povo atado;

E o jogo já se viu e já se fez,
Regras, finalidades e intento:
Compra, venda, mercado de momento,
Onde o escrúpulo nunca teve vez;

Apesar dos pesares e da reclamação,
Nos representam pela clara e aparente projeção
Do diário manifesto de costumes;

Se veja na fila, no banco, no setor,
Infelizmente existe, sem tirar nem pôr,
Um pouco deles em nós.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Eapoi!

Pra cantar o sertão
Tem que ter no coração
Aquele cheiro de folha de marmeleiro,
Molhada logo depois da chuva,
Fazendo o inverno inteiro
Que prevê a pamonha e a canjica,
A sanfona, o reizado, a poesia,
O mote, a violada e a cantoria;

Tem que ter um matuto pulando lá dentro,
Feito zabumba e um triângulo no peito,
Tem que dançar daquele jeito,
Sentindo o cheiro da mulé,
Tem que ser quente feito café,
Moído, fervido e coado na hora,
Tem que ser como cavalo chamado na espora
E valente que nem canário de briga,
Mas também doce feito uma Maria,
Com os ói' briando' escutando a prosa;

Seu dotô, tem mermo é que cair no povo,
Saber o que é gente,
Ter uma paixão bem quente,
Daquelas que deixa no peito um ôco,
Mas caso caia o tampo e destrambelhe,
Tem que procurar alguém que preste
Tampando o buraco com reboco,
E mesmo sabendo de tudo, fazer tudo de novo,
Feito amor de poeta,
Que até peleja pra amar,
Ama até se danar,
Mas não presta!

domingo, 10 de abril de 2016

Recife em ciúme

Porque no carnaval?
Porque consensual,
Clara e viciosamente,
Te gravei na mente,
Mas entre a etilidade dos pensamentos
Não julguei direito teus intentos
E tu, com tuas faltas,
Me fez ficar sem armas,
Desabrochando em ciúme,
Enquanto o teu perfume
Se perdia perto de outro;

E tu agora ignora os meus pedidos,
Minhas falas, meus olhares e o que sinto
Talvez tu acredites que minto.
Duas consecutivas visões,
Que acertaram as paixões,
E falas e olhares e sentimentos
E estados e posturas e moral,
Da próxima vez, por favor me lembras,
Que para evitar contendas,
Não posso te ver no Carnaval.

Passarinho

Se eu fosse um passarinho,
Todos os dias na tua janela estaria,
Para poder te observar de pertinho,
E pra ti uma música eu faria;

Durante o teu caminhar,
Pelos ares te seguiria
E para todos a melodia cantaria
Verbalizando o meu amar;

Se tu, por ventura,
Quiseres viver a aventura
De passarinho também se tornar,

Saibas que feliz escolha terás feito,
Não te limites a privar teu jeito
Linda, amorosa e apaixonante de ser;

Pedido

Teu corpo é tentação,
Olhos presos na tua pele,
Maravilhas em curvas, inclinação,
Lábios saborosos impelem;

Um clima diferente se encontra,
Mesmo sob minha admiração, aponta,
Teu jeito estranho de ser,
Um tanto fria e longe a me abater;

Mas na esperança observo,
Teu lindo sorriso quero,
Novamente ver;

Sejas verdadeira no que sente,
Não prives ou livre-se de vez d'a gente",
Entretanto, peço que fique.

Trocadilho

Sem eu querer, veio e me enlouqueceu
Com o mesmo vestido,
O mesmo cheiro e óculos,
Fez-me louco em meio a foliões;

Sem eu querer veio e me enlouqueceu
Tocou-me no coração,
Rapidamente veio a baixo meu castelo de paixão;

Sem eu quer, veio e me enlouqueceu,
Justamente por isso
Tu não querias ter de verdade compromisso.
Que respeito?
Estória...

Sem eu querer, veio e me enlouqueceu,
Perdi as troças, o frevo
Quase não percebo
Que o carnaval perdi

E
Sem eu querer, veio e me enlouqueceu

A sabiá canta

Linda sois,
Tens brilho de sóis,
Talhado em teus olhos,
Mármore reto de lembranças,
Sabiá que pela voz canta,
Cântico que espanta,
Por tamanha beleza;

Só, por favor, trata-me com verdade
Não quero ser inutilidade
Nas tuas mãos,
Pois tenho paixão
Pra te entregar
E se tu não quiseres me amar
Melhor ser justa e me deixar;

É mais justo comigo e contigo
O caminho certamente concluir,
Eu deixo de me iludir
E tu viverás,
Verei que partirás
Tal qual ave do quadro
Que por mim foi pintado
Em cores lilás e azul.

Mas, se por um acaso,
Dúvidas possuir
Não me deixa partir
E me alimenta com teu doce sabor,
Mel que me provoca
E das noites me faz lembrar
Teu corpo delicadamente a acariciar,
Deixando tua face morta;

Poeta pequeno sou,
Todavia, posso dizer
Que talvez posso não te ter,
Mas o aspirante da poesia
Muito te queria
Até te pintou,
Pois te amou
Até quanto podia.

Referência

Apesar do cheiro encantador,
Por duas letras não é do Gonzaga,
Mas tem sambas que mostram amor
E que muitos peitos abala;

Em refrão do Jorge foste cantada,
Mostrada, desenhada e descrita
De forma que teu coração palpita
E algo me diz que queres ser amada;

Muitos poetas já inspirou,
Sem dúvida, outros tantos apaixonou
E pelo caminho continua andando;

Disso já tens consciência,
Agora me ensinas a ciência
De te conquistar novamente.

No picadeiro

O amor é como uma lona,
Onde no espetáculo
Os palhaços encenam o ato
E o dono do circo
Deixa-os no prejuízo,
Brincando com quem se apaixona;

A plateia se alegra com o número,
Sorri, aplaude e come pipoca,
Enquanto, no picadeiro, o palhaço,
Na falsa alegria que vive, troca
A sua qualidade mais preciosa dentre as poucas
Por sobrenomes estampados de trouxas.

Sutileza

Cada traço e curva que tens,
Amostra de divina beleza,
Romântica, detém delicadeza
Ordenada em grandiosos bens;
Ligada a esfera da perfeição,
Ysis que na lua se encapa,
Notas entoadas em determinada harpa,
Emana harmonia em fruição;

Terás, certamente, a sorte
E administrarás devidamente o norte,

Antes me levas contigo;
Mostra e abre teu coração
E cante junto a este simples poeta

Infindável e fascinante canção.

A espera de um inverno

Vivendo num sertão em tempos de seca,
A vereda sertaneja se constrói em poesia,
Sinal dos céus que os animais castiga,
É paisagem cinza, viva em constante perda;

Na aridez dessas terras rachadas,
Árvores pela luz do sol afogadas,
Sequidão e vazio de sentimentos,
Andanças por mim feitas, caminhos;

Mas caso a chuva caia e encha
Novamente a barragem do meu peito,
A vida se retoma, ressurgindo o jeito
De te amar muito mais do que pensas;

Hei de te fazer florir e de muito bem o sorrir,
Rios correrão, os pássaros cantarão,
Muitos pelo verde se apaixonarão,
Viaja assim comigo e me deixa teu coração abrir.

Tempo de Escolher

A enfermidade se fez normal,
Transformando-se em alegria,
Fazendo, desse modo, o meu dia
Mais completo e menos banal;

Quando a saúde se estabeleceu,
E o meu peito assim se ajustou,
Subitamente os pontos cortou,
Pois acredito que se esqueceu

Das horas que se passaram,
Dos ponteiros que viraram
Dos momentos e projeções
Das safenas entre corações
Que outrora descobrimos

Combinação e fuga de cores

Artigo que logo se dispersa,
Colorido efêmero que se vai,
Amarelo-avermelhado sai,
Sol que se finda como peça;

Silhuetas de casas e postes,
Fingindo estruturar arquiteturas,
Aparências de construções pobres,
Maquiando felicidades e aventuras;

Sem firmeza edificas
E na mentira se estabilizas,
Como alicerce de areia;

Colunas e vigas deixas de lado,
Não queres ver o céu azul-prateado
Em constância de tonalidade.

Desengonço a dois

Quente a gente se serve,
Mas antes a água ferve,
O pó também se coloca
Pra no filtro coar,
Depois tomar, aquecer e acordar
O que outrora se esqueceu;

A borra as vezes cai
Pra dentro da garrafa
E o café se estraga,
Aborrecendo o gosto,
Causando alvoroço
Naquele que bebe;

Poderíamos ter cuidado,
Muito menos nos machucado,
Ficado com as mesmas xícaras,
Vivendo verdadeiramente o sabor,
Aquele quente e doce do amor,
Mas o pó caiu.

Dualismo

Do Globo se avista
O Sanhauá, maravilha,
Mata verde, cor que gostas,
E as nuvens no céu entrepostas;

A natureza contempla na verdade
E se organiza somente pra teus olhos
Negros, dois portos
De delicadeza e saudade!

Virtuosa e sofrida magia,
Construção que amaria,
Mas não te decides;

Sofrer não é por demais amar,
Mas sim sem certezas esperar,
Pois firmeza não tens.

Observação

O que vês,

Em outros corpos,
Toques e sentimentos mortos,
O que realmente quereis?


Porque beijas
Outras bocas e sentes,
O carinho mentes,
Ou, finges centelhas?

Sois bem mais que isso,
Larga e cria o paraíso,
Semeando um pouco de paixão,
As sinuosidades são perfeição;

Ta difícil esperar,
Quero em braços descansar,
Morada fazer,
Pra que se conter?

Trilhas

Do sertão eu caminhei
Até o frevo das ladeiras de Olinda
E vi tamanha menina,
Entre sombrinhas na brincadeira,
Monumento divino que achei;

Em João Pessoa encontrei 
Novamente ela: a saidera,
Revivendo entre zumbidos de muriçoca,
A doçura pulando feito pipoca
No olhar de uma mulher;

Difícil coração, não me dá trela,
Fazendo sofrer esse pobre poeta;
E entre sanidades e loucuras,
É verdade que tenho algumas rasuras
Feitas enquanto te idealizava;

Passa amor, passa verso,
Caminha eu, caminha universo,
Vive tu, sobrevive paixão,
E nos enganos do coração
Me viro em bicho solto!

Feridas de Incerteza

Sinto o vento da tua asa,
Arco que em correntes corta,
Deixando a minha pele morta,
Desejo que com o tempo passa;

Tocar tuas curvas sonharei,
No sonho contigo ficarei
E a felicidade momentaneamente
Hei de viver tranquilamente;

Mas ao triste despertar,
A ti não mais irei encontrar,
Quebra de sonho;

Muito poderia te amar,
A caminhos te levar,
Isso que te proponho.

Entre "Aspas"

O que talvez tu não saibas,
Eu também ainda não compreenda,
Mas na dúvida que surge nessa lenda,
"Veja meu coração" entre aspas:

AS descobertas apenas começaram,
Mas desde já de uma coisa sei
Do que venho construindo e até pensei
Muito vem crescendo e se aguçaram;

Nos caminhos que tracei,
De alguma forma me encantei
Nas curvas do sorriso teu
E o brilho que possuis me deteu;

Curiosidade me despertou,
Interesse deveras aportou,
E não levo muito jeito,
Ainda não sei direito;

Sou aprendiz de poeta,
Logo limitações tenho nessa faceta,
E do que me faz ainda falta
Tua pessoa talvez seja a pauta.

Não sei se tu topas,
Conhecer um pouco mais esse piegas,
Cheio de versos e rimas bregas,
Mas com calma e sem pular etaPAS.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Corais

Das cores, a emoção florescer,
Traduzir o perceber em sentir
E dos aromas, os melhores colher
Para verdades eternas construir;

Em teu sorriso se faz o brilho,
Na natureza do olhar teu, precioso encanto,
Tua pele, delicado manto,
Sinais da tua face, divino trilho;

Definições de pura simpatia,
Protegido tal qual recife em sintonia,
Iluminado por raios belos e vivos;

Em minha mente desejaria,
Colidir existências, transmitir alegria,
E construir amores infinitos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Expectativas

Nas cordas do violino, embainhastes o som,
No  sorriso, a delicadeza do mundo guardas,
No olhar, a beleza possui armada
E na voz, a meiguice do canto em afinado tom;

Tens animado os meus dias,
Embalado as minhas noites;
Durante os sonhos, me traz alegria
E amanheço feliz pelo que transmites;

Sois detentora de qualidades mil,
Apesar do clichê que surgiu:
És verdadeiramente linda;

Curioso estou para te encontrar,
As expectativas confirmar,
E o coração abrir.