domingo, 3 de novembro de 2019

Uma trégua pela saudade

Quero amor e não quero trégua,
Quero teu cheiro e não quero guerra,
Unir a paixão com a cantoria,
Vencer os embates pela poesia;

Uma ponte para o teu coração construir,
Se algo a ameaçar cair,
Vou de barco ou de avião,
Faço até um buraco no chão
E cavo um túnel até você,
Pois para te (re)encontrar,
Nunca há medida ideal do T.

Estou com saudade das conversas e dos versos,
Das estrelas e constelações,
Do teu cheiro, abraço, emoções:
Um encontro de dois universos!

Quero ver de novo o tempo passar disperso,
Em um relógio que não vê a hora correr,
Por enxergar, nós, o sinônimo do verbo amar,
Dito isso, Flor: vem me abraçar,
Tenho pouco, mas te ofereço meu carinho,
Os desvios são, na verdade, atalhos no caminho,
Vem logo me ver!

03/11/2019

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Palavras, ações e sentir

Na fantasia criativa das palavras,
A arte traduz o que não se expressa,
Por meio de detalhes constrói o divino,
Como na luz do sol vespertino
Que brilha em raios amarelo-alaranjados,
Transição dos astros enamorados:
Sol que cai pela beleza da Lua,
Natureza a transcender pela pura
Vinculação perfeita do Universo;

Na sacralidade perfeita das ações,
Erros transformam-se em aprendizado,
O sofrimento abre espaço à cura,
Felicidade presente, dor no passado;
Compreensão, metamorfose, bravura,
Percepção, fé e desejo,
Consciência que planeja um ninho
Quando não mais se percebe sozinho,
Transformando o coração num vilarejo;

Na tentativa de entender o sentir,
A criatura se aproxima do Criador,
Solfejando notas em arranjos de amor,
Como uma sinfonia de orquestra,
O Maestro é o próprio coração,
O afeto é verdadeiro diapasão
Quando par de almas afina,
E pela clareza de um acorde ilumina
A harmonia do caminho a seguir.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

E se?

A dúvida certamente assola,
De forma condicional incomoda,
Feito martelo d'água que acorda,
De até tirar o fôlego como canário na gaiola,

E se eu agisse?
E se eu falasse?
E se eu desistisse?
E se, mais que sentisse, de verdade, eu contasse?

Se mais que poesia eu fizesse,
Essa inutilidade de palavras,
Estrofes de rimas desordenadas,
Talvez alguma conquista eu tivesse,

Poema: refúgio de um poeta ordinário,
Quase analfabeto do sentimento,
Buscando nas grafias o alento,
Poço de materialização - confessionário!

A verdade na tua presença é falha,
Luz fosca que se espalha,
Inibe a clara voz;

Um sorriso de clarear o breu,
Triste poesia do estado meu,
Censura a machucar!