Tem que ter no coração
Aquele cheiro de folha de marmeleiro,
Molhada logo depois da chuva,
Fazendo o inverno inteiro
Que prevê a pamonha e a canjica,
A sanfona, o reizado, a poesia,
O mote, a violada e a cantoria;
Tem que ter um matuto pulando lá dentro,
Feito zabumba e um triângulo no peito,
Tem que dançar daquele jeito,
Sentindo o cheiro da mulé,
Tem que ser quente feito café,
Moído, fervido e coado na hora,
Tem que ser como cavalo chamado na espora
E valente que nem canário de briga,
Mas também doce feito uma Maria,
Com os ói' briando' escutando a prosa;
Seu dotô, tem mermo é que cair no povo,
Saber o que é gente,
Ter uma paixão bem quente,
Daquelas que deixa no peito um ôco,
Mas caso caia o tampo e destrambelhe,
Tem que procurar alguém que preste
Tampando o buraco com reboco,
E mesmo sabendo de tudo, fazer tudo de novo,
Feito amor de poeta,
Que até peleja pra amar,
Ama até se danar,
Mas não presta!